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Aspectos gerais
Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também
é considerado uma droga psicotrópica, pois ele atua no sistema nervoso central,
provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial
para desenvolver dependência. O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas
que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos
motivos pelo qual ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com
as demais drogas. Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas
alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema. Além dos inúmeros acidentes
de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo
de álcool a longo prazo, dependendo da dose, freqüência e circunstâncias,
pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Desta forma,
o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública,
especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando altos custos para sociedade
e envolvendo questões, médicas, psicológicas, profissionais e familiares.
Efeitos agudos
A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases
distintas: uma estimulante e outra depressora. Nos primeiros momentos após
a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes como euforia,
desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). Com o passar do tempo,
começam a aparecer os efeitos depressores como falta de coordenação motora,
descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor
fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma. Os efeitos do
álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por
exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos
do álcool com menor intensidade, quando comparada com uma outra pessoa que
não está acostumada a beber. Um outro exemplo está relacionado à estrutura
física; uma pessoa com uma estrutura física de grande porte terá uma maior
resistência aos efeitos do álcool. O consumo de bebidas alcoólicas também
pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face,
dor de cabeça e um mal-estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas
pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais,
em geral, tem uma maior probabilidade de sentir esses efeitos.
Álcool e Trânsito
A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação
motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos, ou operar
outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes é provocada
por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. Neste sentido, segundo
a legislação brasileira (Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar
em janeiro de 1998) deverá ser penalizado todo o motorista que apresentar
mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária
para atingir essa concentração no sangue é equivalente a beber cerca de 600ml
de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chope), 200ml de vinho
(duas taças) ou 80ml de destilados (duas doses).
Alcoolismo
Conforme já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de
forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência do álcool,
condição esta conhecida como "alcoolismo". Os fatores que podem levar ao alcoolismo
são variados, podendo ser de origem biológica, psicológica, sociocultural
ou ainda ter a contribuição resultante de todos estes fatores. A dependência
do álcool é uma condição freqüente, atingindo cerca de 5 a 10% da população
adulta brasileira. A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre
de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns
dos sinais do beber problemático são: desenvolvimento da tolerância, ou seja,
a necessidade de beber cada vez maiores quantidades de álcool para obter os
mesmos efeitos; o aumento da importância do álcool na vida da pessoa; a percepção
do "grande desejo" de beber e da falta de controle em relação a quando parar;
síndrome de abstinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado
algumas horas sem beber) e o aumento da ingestão de álcool para aliviar a
síndrome de abstinência. A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que
aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas após
um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6-8 horas após a parada
da ingestão de álcool, sendo caracterizada pelo tremor das mãos, acompanhado
de distúrbios gastrointestinais, distúrbios de sono e um estado de inquietação
geral (abstinência leve). Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem
para a síndrome de abstinência severa ou delirium tremens que, além da acentuação
dos sinais e sintomas acima referidos, caracteriza-se por tremores generalizados,
agitação intensa e desorientação no tempo e espaço.
Efeitos no resto do corpo
Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais
freqüentes são as doenças do fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica
e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite,
síndrome de má absorção e pancreatite), no sistema cardiovascular (hipertensão
e problemas no coração). Também são freqüentes os casos de polineurite alcoólica,
caracterizada por dor, formigamento e câimbras nos membros inferiores.
Durante a gravidez
O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer conseqüências
para o recém-nascido, sendo que, quanto maior o consumo, maior a chance de
prejudicar o feto. Desta forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo
de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação como também durante todo
o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do
leite materno. Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool,
que fizeram uso excessivo durante a gravidez, são afetados pela "Síndrome
Fetal pelo Álcool". Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam
e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome
de abstinência). As crianças severamente afetadas e que conseguem sobreviver
aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais
que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.
Fonte: Centro Brasileiro de Informações
sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID |
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